Instalação do Cleaner Seas Group transforma resíduos de lavanderia em novos materiais e propõe solução inédita para o desafio dos microplásticos.
Em uma iniciativa inédita no combate à poluição por microplásticos, o Reino Unido acaba de inaugurar, na cidade costeira de Bude, Cornwall, o primeiro centro global dedicado à reciclagem de microfibras oriundas de lavanderias.
O empreendimento, liderado pelo Cleaner Seas Group, consolida um modelo de economia circular ao reaproveitar resíduos sintéticos provenientes de roupas lavadas, um dos principais vetores de poluição plástica nos oceanos.
A nova instalação, que reúne um Centro de Filtros de Microfibra, um Laboratório de Reciclagem de Microplásticos e um hub de Devolução e Reciclagem, terá capacidade para processar até 86 toneladas anuais de microfibras. Esses resíduos são capturados por filtros acoplados a máquinas de lavar e contêm não apenas partículas plásticas, mas também fibras de algodão e outros materiais. O sistema opera em circuito fechado e transforma os rejeitos em novos produtos industriais, como componentes para construção civil, embalagens e até materiais usados em baterias.
A crescente preocupação global com a presença de microplásticos, definidos como fragmentos com até 5 mm de diâmetro, tem pressionado governos e empresas por soluções mais eficazes.
Estima-se que cerca de 1 milhão de toneladas dessas partículas entrem nos oceanos a cada ano, sendo os têxteis sintéticos uma das principais fontes. O Cleaner Seas Group destaca que uma única lavagem pode liberar até 700 mil microfibras no meio ambiente, muitas vezes inalcançáveis por sistemas tradicionais de tratamento de esgoto.
A empresa já vinha ganhando destaque com seus filtros de lavanderia, cuja eficácia foi comprovada em testes que demonstraram a retenção de até 99% das microfibras com tamanho mínimo de 1 mícron.
Em março deste ano, a tecnologia começou a ser implantada em escala comercial, com um acordo firmado com a operadora de cruzeiros TUI para equipar máquinas de lavar a bordo de cinco embarcações a partir de setembro. A expectativa é capturar cerca de 500 kg de microfibras por ano apenas nesse projeto.
Regulações mais rígidas também vêm impulsionando esse tipo de inovação. Desde janeiro de 2025, a França exige a instalação de filtros de microfibras em todas as novas máquinas de lavar.
A Austrália seguirá caminho semelhante até 2030, e o Reino Unido atualmente debate proposta legislativa com o mesmo objetivo.
A iniciativa do Cleaner Seas Group representa um avanço estratégico na cadeia têxtil e de gestão de resíduos, apontando caminhos viáveis para a indústria diante da urgência ambiental e da crescente pressão regulatória.