O uso estratégico de fragrâncias personalizadas amplia a experiência do consumidor e reforça o posicionamento das marcas de household
O aroma de um produto ou de um ambiente tem se consolidado como um dos principais elementos na construção da experiência do consumidor. No mercado de household, onde categorias como limpadores, amaciantes, desinfetantes e aromatizadores disputam espaço cada vez mais competitivo, a identidade olfativa vem assumindo papel estratégico para fortalecer marcas, ampliar a percepção de qualidade e influenciar a decisão de compra.
Mais do que proporcionar uma sensação de limpeza, as fragrâncias passaram a representar atributos como cuidado, conforto, sofisticação e bem-estar. Esse movimento acompanha uma transformação no comportamento do consumidor, que busca experiências sensoriais completas e estabelece conexões emocionais com marcas capazes de despertar memórias positivas.
De acordo com Peter Paiva, designer, artesão e especialista em identidades olfativas, o olfato possui uma capacidade única de criar vínculos afetivos que permanecem na memória por longos períodos.
“O cheiro desperta emoções de maneira quase instantânea. Quando uma empresa desenvolve uma identidade olfativa consistente, ela deixa de oferecer apenas um produto e passa a construir uma lembrança que acompanha o consumidor mesmo após o uso.”
Esse diferencial encontra respaldo na própria neurociência. Ao contrário dos demais sentidos, o olfato está diretamente conectado às áreas cerebrais responsáveis pelas emoções e pela memória, tornando as experiências olfativas mais intensas e duradouras. Como consequência, fragrâncias específicas podem transmitir sensações de confiança, acolhimento, higiene e segurança, atributos altamente valorizados nas categorias de cuidados com a casa.
No segmento de household, essa estratégia tem ganhado força à medida que fabricantes investem em perfumes exclusivos para diferenciar seus portfólios em um mercado onde desempenho funcional e experiência sensorial caminham lado a lado. O aroma deixa de ser apenas um complemento da formulação para se tornar parte da identidade da marca.
Segundo Peter Paiva, esse ainda é um aspecto subestimado por muitas empresas. “Muitas organizações ainda enxergam a fragrância apenas como um componente do produto. Na prática, ela comunica os valores da marca, fortalece sua personalidade e contribui para criar uma experiência memorável para o consumidor.”
A estratégia, antes concentrada em grandes companhias, também vem sendo incorporada por empresas de menor porte, que utilizam fragrâncias exclusivas como forma de agregar valor, diferenciar lançamentos e fortalecer o relacionamento com seus públicos.
Ao longo de mais de duas décadas de atuação, Peter Paiva participou de projetos voltados à criação de experiências sensoriais para diferentes segmentos, incluindo o desenvolvimento de identidades olfativas para atrações da exposição Mundo Pixar, demonstrando como os aromas podem ampliar a imersão e potencializar o vínculo emocional com marcas e histórias.
Para o especialista, a evolução do comportamento de consumo reforça a importância de investir em experiências que vão além da funcionalidade.
“O consumidor atual não escolhe apenas pela eficiência. Ele procura marcas que despertem sensações positivas e criem conexões emocionais. A identidade olfativa é uma das ferramentas mais eficazes para transformar uma experiência comum em algo memorável.”
À medida que o mercado de household amplia seu foco em inovação e diferenciação, a construção de assinaturas olfativas exclusivas tende a ganhar relevância como estratégia de branding. Mais do que perfumar produtos e ambientes, as fragrâncias passam a atuar como ativos de marca capazes de fortalecer o posicionamento, aumentar a fidelização e criar vantagens competitivas em um setor cada vez mais orientado pela experiência do consumidor.