A história da carreira profissional de Luiz Alberto Bozzolo, história do evento Household no Brasil, os workshops regionais, das notas de mercado, do mídia kit, lançamento da revista H&C – Household & Cosméticos e muito mais.
Minha trajetória profissional teve início aos 15 ou 16 anos, quando trabalhei em uma loja de acessórios para automóveis. No entanto, foi aos 18 anos que minha carreira realmente começou a se delinear, ao ingressar na área financeira da Oxiteno. Comecei na tesouraria e tive a oportunidade de aprender com grandes profissionais, que me transmitiram ensinamentos valiosos sobre educação financeira, planejamento estratégico e gestão financeira — princípios que me acompanhariam por toda a vida, tanto pessoal quanto profissionalmente. Aos 30 anos, concluí o curso de Administração de Empresas na Universidade Mackenzie.
Como disse um poeta baiano, minha experiência na Oxiteno e a formação no Mackenzie me proporcionaram a “régua e compasso” necessários para seguir em frente na carreira. Depois, trabalhei em outras empresas do setor químico, sendo a última a Salgema, que posteriormente se tornou a Braskem em 2002. Em 1991, aos 37 anos, fui demitido da Salgema e decidi fundar a FREEDOM Comunicações. O nome simbolizava meu desejo de liberdade: a vontade de implementar minhas próprias ideias, longe da interferência de chefes e de ambientes corporativos marcados por inseguranças e jogos de poder.
Lembro-me bem do dia em que meu diretor me chamou em sua sala. Ele foi honesto ao dizer que precisaria do meu cargo, pois um conselheiro da Petroquisa, acionista da empresa na época, queria colocar o filho no meu lugar. Agradeci a sinceridade e o tranquilizei, pois já estava ciente de que algo assim poderia acontecer. Disse a ele que estava tudo bem, pois já havia decidido abrir a FREEDOM Comunicações.
Apesar da minha competência e dos bons resultados, percebi que o crescimento dentro da empresa dependia de fatores externos, como indicações influentes. Era de conhecimento geral que até a esposa do ex-presidente Ernesto Geisel recomendava pessoas para cargos importantes. Sem essas conexões, percebi que seria difícil progredir. Foi então que resolvi buscar minha verdadeira “liberdade”, criando a FREEDOM.
Durante o período que estive na Salgema, cerca de quatro anos, aproveitei os ótimos salários, participação nos lucros e o excelente plano de previdência privada para economizar o máximo possível. Sabia que precisaria desse capital para sustentar a empresa nos primeiros dois ou três anos, pois o começo seria difícil.
Essa decisão foi, sem dúvida, uma das mais acertadas da minha vida. Conduzi a FREEDOM de 1991 até maio de 2022, quando optei por encerrar as atividades. No início da trajetória, contei com o apoio do meu irmão mais novo, Antônio Sérgio, que permaneceu comigo nos primeiros quatro anos. Após sua saída, minha irmã, Neiri Bozzolo, assumiu seu lugar e permaneceu na empresa até se aposentar em 2020.
A pandemia trouxe desafios significativos, especialmente para empresas de eventos e comunicações, e optei por não reestruturar a equipe. Além disso, desde 2014, já vinha atuando na área de M&A, um campo no qual me desenvolvi bem, o que reforçou minha decisão de seguir um novo caminho profissional.
Curiosamente, o diretor que me comunicou a demissão estava preocupado com o futuro do setor de marketing, já que meu substituto, segundo ele, não tinha o conhecimento necessário. Conversamos e decidimos que eu sairia, mas que a FREEDOM seria a agência responsável por assessorar a empresa nas atividades que eu já desempenhava. Ou seja, fui demitido e já saí com meu primeiro cliente: a Salgema/Braskem. A nota fiscal número um da FREEDOM foi justamente emitida para eles.
Como head de marketing na Salgema/Braskem, tive a oportunidade de organizar diversos eventos e participar de feiras e congressos. Um desses eventos foi o Congresso da ABISA – Associação Brasileira das Indústrias fabricantes de sabão e detergentes, que em 2024 completou 40 anos / edições, e aconteceu em Maceió, por coincidência, cidade onde está localizada a gigante fábrica da Salgema/Braskem. Foi um prazer participar novamente.
Ainda em 1991, durante uma conversa com a Sra. Zoé Móres, executiva da ABISA, surgiu a oportunidade de assumirmos a produção da Revista Espuma, a publicação oficial da associação. Aceitamos o desafio, e em 1992 começamos a produzir a revista. Isso nos levou a aprofundar nosso conhecimento sobre o mercado de sabão e detergentes no Brasil, seus fornecedores e eventos do setor.
A Revista Espuma foi um sucesso, e conseguimos elevar seu patamar. Expandimos sua cobertura para o segmento de cosméticos e fragrâncias, começamos a publicá-la em português e espanhol, ampliando nosso alcance e consolidando ainda mais nosso sucesso no mercado.
Na Revista Espuma, assumi o papel de editor e também a direção comercial. Com isso, tive a oportunidade de visitar diversas multinacionais que atuavam nos setores de insumos para produtos de limpeza, cosméticos, fragrâncias, embalagens e serviços. Em conversas com esses profissionais, muitos com vasta experiência internacional em grandes corporações, percebi que havia muito a aprender sobre o mercado global. Decidi aproveitar ao máximo essas oportunidades e, nos primeiros cinco anos da FREEDOM, fiz cerca de 13 viagens internacionais, participando de seminários e exposições em países vizinhos, na Europa e nos Estados Unidos.
Em 1995, embarquei em uma das viagens mais marcantes da minha carreira, viajando para Miami para participar de um evento sobre detergentes, promovido pela American Oil Chemists’ Society (AOCS), uma associação centenária. O evento ocorreu em um hotel e contava com um seminário e estandes compactos, onde fornecedores de matérias-primas, equipamentos, embalagens e serviços expunham seus produtos, apresentavam suas soluções para a indústria e realizavam contatos com fabricantes de várias partes do mundo.
Fiquei profundamente impressionado com o evento, especialmente porque muitas das empresas já atuavam no Brasil, como: Rhodia, Hoechst, Henkel, Dow, G Mazoni, Ballestra, entre outras, eu conhecia a maioria de seus executivos. Meu trabalho na Revista Espuma me proporcionou esse contato, já que eram eles que tomavam as decisões sobre publicidade nas publicações do setor.
Enquanto percorria o evento, uma ideia tomou forma: ao retornar ao Brasil, eu organizaria um evento semelhante. No entanto, a grande questão era definir o local ideal e encontrar o nome apropriado.
Foi também durante esse evento em Miami que conheci a Revista Happi (Household and Personal Products Industry). Fiquei impressionado, pois se tratava de uma publicação global abrangendo cosméticos, produtos de limpeza doméstica, institucional e industrial, tudo em um único veículo. Como editor de uma revista modesta ligada a uma associação no Brasil, encontrar uma publicação daquele porte, com mais de 200 páginas e centenas de anunciantes, foi revelador. Esse contato abriu meus olhos para o imenso potencial do setor e me fez enxergar o quanto o mercado brasileiro ainda poderia crescer.
O termo “Household” chamou especialmente minha atenção, e, ao pesquisar, descobri que ele se referia ao segmento de produtos de higiene e limpeza doméstica, como sabões e detergentes.
De volta ao Brasil, conversei com alguns profissionais do setor sobre a adoção do nome “Household” e, em 1996, lançamos o primeiro Seminário e Exposição Household. Com o passar do tempo e a expansão do evento, ele passou a se chamar Seminário e Exposição Household & Auto Care.
Durante o voo de volta de Miami, em 1995, comecei a esboçar o projeto para lançar o evento Household no Brasil. A ansiedade era grande, mas as preocupações também: tínhamos pouco conhecimento sobre o setor de Household e saneantes no país. Além disso, surgiam dúvidas sobre o local e o nome do evento. Um nome relacionado apenas a saneantes não seria adequado; precisávamos de algo com apelo internacional, que profissionais de fora do Brasil identificassem como um evento relevante para o setor de produtos de higiene e limpeza doméstica. Já vislumbrávamos a possibilidade de atrair empresas estrangeiras que ainda não operavam no mercado brasileiro.
Com o nome do evento definido, partimos para a escolha do local, um desafio significativo. Quando se lança um evento técnico e específico, é difícil prever a dimensão ideal do espaço necessário. Avaliamos várias opções até decidirmos pelo Centro de Convenções Rebouças, na Avenida Rebouças, próximo à Avenida Paulista, em São Paulo. O local oferecia uma área de exposição modesta e algumas salas de auditório. Inicialmente, reservamos uma sala para 400 pessoas, mas, poucos dias antes do evento, transferimos para o auditório maior, com mais de 500 lugares. A área de exposição foi completamente vendida, e mais de 300 profissionais se inscreveram para o seminário, consolidando o sucesso da estreia.
Com o projeto estruturado, incluindo nome e local, começamos a buscar patrocinadores. A primeira questão era: quem seria o primeiro profissional a contatar? Decidi procurar o Luiz Fernando Coimbra, executivo da área química da Hoechst (posteriormente Clariant). Liguei para sua secretaria e agendei uma reunião para apresentar o projeto. Coimbra aprovou a ideia, afirmando que “o setor precisava de um ponto de encontro para lançar produtos e promover seus benefícios”. Saí da reunião com duas cotas de patrocínio garantidas.
Com esse avanço, busquei o próximo patrocinador e entrei em contato com Júlio Patiño Caneda, executivo da área química da Henkel (que mais tarde se tornou Cognis). Júlio compartilhou da mesma visão de Coimbra, reforçando a necessidade de um espaço para divulgar produtos do setor. Saí da reunião com mais duas cotas de patrocínio, o que praticamente eliminou o risco financeiro do evento. Sou imensamente grato a esses dois profissionais, que já em 1995 demonstravam uma visão estratégica de marketing ao apoiar nossa iniciativa.
Com o sucesso da primeira edição do evento, avançamos com entusiasmo para a realização da segunda e terceira edições, em 1997 e 1998, respectivamente. A cada nova edição, vimos um crescimento expressivo na área de exposição, no número de visitantes e nas inscrições para o seminário. No entanto, ao final do evento de 1998, fomos abordados por executivos das principais empresas do setor, como Basf, Henkel e Hoechst, que sugeriram que o evento passasse a ser realizado a cada dois anos. Segundo eles, o mercado de household não apresentava inovações suficientes para justificar um evento anual.
Com base nessas considerações, decidimos que a quarta edição do evento aconteceria no ano 2000, consolidando o formato bienal. Esse evento sempre recebeu nossa máxima atenção, não apenas por ser a principal fonte de receita da FREEDOM, mas também por ser a iniciativa que mais nos projetava no mercado, fortalecendo nosso relacionamento com as empresas fornecedoras do setor. Além disso, esses mesmos fornecedores eram também grandes anunciantes da revista, nos oferecendo suporte contínuo e garantindo nossa estabilidade financeira. Ao longo de toda a trajetória da FREEDOM, nunca precisamos recorrer a bancos para financiar projetos ou manter o fluxo de caixa, uma conquista da qual nos orgulhamos muito.
A decisão de não realizar o evento em 1999 trouxe um grande desafio: a FREEDOM enfrentaria uma queda significativa na receita e, além disso, correríamos o risco de perder o vínculo com visitantes e parceiros ao longo desse período. Para evitar esse hiato e manter nossa presença ativa no mercado, decidimos adotar uma nova estratégia: a realização de eventos regionais nas principais capitais do país, que batizamos de “workshops”.
Nossa experiência na organização de eventos regionais já era consolidada. Na década de 90, a FREEDOM foi contratada pela ABISA para cuidar da organização completa dos eventos da associação. Das quarenta edições alcançadas pela ABISA em 2024, aproximadamente dez foram organizadas pela nossa equipe, o que reforçou nossa expertise nesse tipo de projeto.
O Congresso da ABISA, por tradição, sempre acontecia nas capitais do Nordeste, e, em paralelo, realizávamos nossos “workshops regionais”. Essa estratégia se mostrou extremamente eficaz, pois permitiu que expandíssemos rapidamente nosso cadastro de profissionais dos setores de cosméticos, higiene e limpeza doméstica, e saneantes em todo o território nacional.
Naquela época, não tínhamos as redes sociais que hoje facilitam a divulgação e o engajamento com o público em tempo real. Cada evento regional exigia um planejamento minucioso e estratégias tradicionais de comunicação, como convites diretos, anúncios em revistas especializadas e parcerias locais. A realização dos workshops presenciais foi crucial para manter nossa visibilidade no mercado e fortalecer os laços com profissionais dos setores de cosméticos, higiene e limpeza doméstica. Esses encontros permitiram que expandíssemos nossa rede de contatos e engajássemos mais pessoas em todo o país. Sem o apoio das plataformas digitais de hoje, cada participação era conquistada com muito esforço, mas foi justamente essa proximidade que ajudou a atrair mais profissionais para o evento bienal Household em São Paulo e consolidar nossa presença em diferentes regiões.
Os workshops foram realizados em diversas cidades estratégicas, como Rio de Janeiro, Vitória, Belo Horizonte, Florianópolis, Porto Alegre, Goiânia, Recife, Salvador e Fortaleza. A ideia era sempre realizar esses eventos fora do Estado de São Paulo, promovendo nosso trabalho em outras regiões e, assim, atraindo mais profissionais para o evento bienal Household na capital paulista.
Essa abordagem não só manteve a FREEDOM ativa e relevante durante os anos em que o evento principal não ocorria, como também ampliou significativamente nossa rede de contatos e fortaleceu nossa presença em diferentes mercados.
Esses workshops seriam realizados em hotéis de 4 ou 5 estrelas, com uma estrutura menor e mais dinâmica. Organizamos auditórios para um público mínimo de 100 pessoas, com palestras focadas em Household e cosméticos, além de um espaço de exposição com “mesas de negócios” que substituiriam os tradicionais estandes. A intenção era criar um novo produto para a FREEDOM, diversificando nosso faturamento nos anos sem a realização do grande evento.
O impacto foi maior do que esperávamos. Além de garantir uma receita consistente para a empresa a partir de 1999, conseguimos ampliar significativamente nossa rede de contatos e divulgar ainda mais o trabalho de comunicação que a FREEDOM vinha desenvolvendo nos setores de household e cosméticos. A primeira edição do workshop aconteceu em Curitiba, no Paraná, e foi um sucesso absoluto. A partir daí, conquistamos a adesão de profissionais de diferentes estados, que passaram a frequentar o grande evento Household em São Paulo. Ao longo de mais de 30 anos de atuação, realizamos cerca de 80 workshops em diversas regiões do país, reforçando nossa influência e compromisso com o setor.
Em 1992, no segundo ano da FREEDOM, iniciamos a publicação da Revista Espuma, um projeto que deixaria uma marca significativa em minha trajetória profissional. Inicialmente, a revista era destinada exclusivamente ao setor de sabões e detergentes, atuando como o veículo oficial da ABISA – Associação Brasileira das Indústrias de Sabão e Detergentes. Contudo, desde o começo, percebi que a Espuma poderia ir além, embora o título não se alinhasse perfeitamente com o universo cosmético. Mesmo assim, decidimos, então, expandir seu conteúdo, incorporando matérias sobre cosméticos e fragrâncias, com o objetivo de atrair novos anunciantes.
A estratégia se mostrou bem-sucedida, e a publicação rapidamente se consolidou como uma fonte estável de receita, além de se tornar uma referência nos setores que abrangia. Esse reconhecimento foi impulsionado pelo valor das informações de mercado que trazíamos, fruto de acordos estratégicos com diversos institutos de pesquisa. Assim, a Espuma não apenas fortaleceu nossas conexões com grandes empresas do setor, mas também se posicionou como um canal essencial para a tomada de decisões e o desenvolvimento de negócios nas indústrias de sabões, detergentes, cosméticos e fragrâncias.
Contudo, com o crescimento da revista, ficou claro que estávamos construindo algo grandioso em um terreno que não era nosso – afinal, o título pertencia à ABISA. Ao mesmo tempo, a FREEDOM já havia consolidado sua presença no mercado após sete anos de atuação, e eu sabia que era hora de dar um passo maior: criar uma publicação própria. A ideia vinha amadurecendo em minha mente por anos, e, em 1999, tomei a decisão de informar à ABISA que aquele seria o último ano da Revista Espuma sob nossa gestão.
No ano 2000, concretizamos esse sonho com o lançamento da Revista H&C – Household & Cosméticos. A recepção foi extraordinária! O mercado abraçou o novo título, e conseguimos ampliar significativamente o número de anunciantes. No entanto, o mercado brasileiro ainda era pequeno para uma publicação segmentada com edições mensais, e por isso a H&C iniciou com publicação bimestral.
Embora a revista bimestral nos mantivesse presentes no mercado, sentíamos que dois meses entre uma edição e outra era um intervalo longo demais. Queríamos uma conexão mais constante com o mercado. Nessa época, apesar de a internet já existir há cerca de quinze anos, as ações de comunicação digital ainda eram tímidas. Mesmo assim, enxergamos uma oportunidade e decidimos lançar mais um produto inovador: as Notas de Mercado, uma e-newsletter semanal enviada todas as quartas-feiras, com informações rápidas sobre o mercado de cosméticos e Household, lançamentos, novidades e atualizações sobre nossos eventos e outros do setor.
Nosso objetivo era claro: estar constantemente na mente dos profissionais, mantendo uma presença semanal com as Notas de Mercado e reforçando essa conexão com a publicação bimestral da Revista H&C. Além disso, também estávamos presentes por meio dos workshops regionais, realizando até seis eventos por ano, além do evento da ABISA.
As Notas de Mercado foram um sucesso imediato e rapidamente se tornaram uma nova fonte de receita. Logo começamos a vender espaços publicitários na e-newsletter. Tenho uma lembrança especial dessa época: fomos pioneiros nessa iniciativa, algo que nem mesmo a renomada revista americana Happi havia implementado na época – embora, posteriormente, eles tenham seguido a mesma tendência.
Chegamos a enviar as Notas de Mercado para uma base com quase 30.000 e-mails, consolidando nossa posição não apenas como uma empresa de comunicação, mas também como referência no setor. Essa experiência foi um marco na minha trajetória e no desenvolvimento da FREEDOM, mostrando que inovação e persistência são fundamentais para se destacar em um mercado em constante evolução.
Onde você estava no dia 11 de setembro de 2001? Para mim, essa data é marcada por uma lembrança vívida e profunda. Naquele dia fatídico, eu estava em Buenos Aires, no emblemático Hotel Hilton, participando de um evento da área cosmética, provavelmente organizado pela IFSCC – Federação Internacional de Sociedades de Químicos Cosméticos. Enquanto circulava pelo hall do hotel, uma cena inesperada capturou minha atenção: um grupo de pessoas em frente a um aparelho de TV, todas com olhares fixos e expressões de incredulidade. A imagem que se desenrolava era aterradora, a primeira torre gêmea sendo atingida nos Estados Unidos. Fiquei paralisado, sem conseguir compreender a magnitude do que estava acontecendo.
Conforme assistíamos, a situação se agravou com o impacto do segundo avião, e a queda da segunda torre foi como um golpe no estômago, uma estrutura imponente desmoronando como se fosse feita de papel. O ambiente estava carregado de perplexidade e angústia; as pessoas ao meu redor trocavam olhares de horror, tentando entender as consequências de um evento tão catastrófico. Naquele momento, todos sabíamos que a vida como a conhecíamos estava mudando para sempre. Após ver aquelas imagens chocantes, os profissionais americanos presentes no evento correram para ligar para suas casas. No entanto, as chamadas não conseguiam ser completadas; era evidente que todos estavam tentando fazer o mesmo, buscando desesperadamente se conectar com seus entes queridos nos Estados Unidos naquele momento crítico.
No dia seguinte, estávamos programados para voltar de Buenos Aires a São Paulo. Posso afirmar com certeza que aquele foi o voo mais silencioso da minha vida. A atmosfera estava tensa; todos pareciam carregar o peso da preocupação e do medo. Ninguém desejava estar longe de casa em um dia como aquele. Quando finalmente aterrissamos no aeroporto de Guarulhos, um imenso alívio tomou conta de todos nós, como se finalmente pudéssemos respirar novamente. A lembrança daquele dia ainda ecoa em minha mente, uma marca indelével na minha trajetória profissional e pessoal.
Falando sobre a revista Happi, uma publicação de renome mundial nos segmentos de produtos higiene e limpeza para o lar e cuidados pessoais, lembro que, em 1995, a revista já contava com um “Mídia Kit”. Esse informativo abrangente detalhava as 12 edições anuais, além de informações sobre as publicações sazonais. Ele incluía um resumo das pautas programadas, datas de fechamento publicitário, prazos para entrega de anúncios e uma tabela de preços para cada espaço na revista. Fiquei impressionado com a organização e o planejamento da editora. Esse Mídia Kit era fundamental para os profissionais de marketing, ajudando-os a estruturar suas ações ao longo do ano.
Ao voltar ao Brasil, implementei rapidamente nosso próprio Mídia Kit. Além da revista, também promovíamos eventos regionais, além do Seminário Household, e oferecíamos espaço publicitário no site da FREEDOM, além das Notas de Mercado. Essa iniciativa elevou nosso conceito junto aos profissionais de marketing, pois demonstrava nossa abordagem organizada e planejada.
É importante lembrar que, quando fundamos a FREEDOM em 1991, as empresas tinham equipes robustas, com profissionais dedicados a cada área: gerentes de vendas, marketing, produtos, além de secretárias. Era uma verdadeira festa! Contudo, com o tempo, as empresas começaram a cortar cargos, até que restou apenas o “Gerente do Negócio” e seu laptop. Em muitos casos, esse profissional era responsável por toda a região da América Latina, o que incluía também os países vizinhos até o México.
Para esses gerentes, nosso Mídia Kit era uma ferramenta valiosa. Em suas viagens, eles podiam planejar de forma eficiente suas ações nos setores de produtos para o lar e cosméticos. Podiam decidir em quais edições da revista anunciariam, onde publicariam artigos técnicos, em quais workshops participariam e qual seria o tamanho de seus estandes no Seminário Household, além de que palestras apresentariam. Muitas vezes, eles também se encarregavam de dar palestras nos eventos regionais.
Nós facilitávamos muito esse processo. Por exemplo, para os eventos regionais, bastava que eles escolhessem onde estariam presentes. No dia anterior ao evento, pegavam o avião e, ao chegarem, tudo já estava preparado. Eles montavam seus banners na mesa de negócios, organizavam os folhetos, abriam o laptop e se reuniam com seus representantes locais. Estavam prontos para receber de 20 a 30 empresas em cada evento, apresentando suas soluções. Sem esses eventos, imagine o custo e o tempo que levaria visitar tantas empresas em cidades como Goiânia.
No final do ano, um profissional que participasse de 6 ou 7 eventos regionais estaria bem posicionado para apresentar um relatório aos seus superiores, com informações e características das diversas regiões desse nosso país continental. O Mídia Kit e toda a nossa estrutura foram fundamentais para ajudar as empresas a se desenvolverem em várias regiões, com um custo extremamente baixo.
A FREEDOM Comunicações se destacou como uma empresa bem-sucedida, alcançando crescimento contínuo em seus primeiros 20 anos de operação. Desde o início, conquistamos uma conta importante com a Salgema e, já no segundo ano, lançamos a Revista Espuma. Simultaneamente, começamos a organizar os eventos da ABISA, nos quais introduzimos pequenos estandes e novas modalidades de patrocínio. Nessa época, também assumimos a organização do jantar de abertura do evento, reunindo mais de 300 convidados.
Cinco anos após a fundação da FREEDOM, lançamos o Seminário e Exposição Household, um evento que se tornaria um marco em nossa trajetória. Realizamos suas três primeiras edições anualmente, consolidando nossa presença no setor e reforçando nossa relevância no mercado. Em 1999, demos mais um passo significativo ao expandir nossa atuação com os workshops regionais, levando conhecimento e inovação para diferentes partes do país. À medida que a FREEDOM crescia, nossa equipe comercial também se fortalecia, contando com quatro executivos de contas e um diretor comercial. Esse time eficiente foi essencial para garantir um fluxo de caixa consistente e saudável, permitindo à empresa não apenas manter sua estabilidade financeira, mas também distribuir lucros regularmente aos sócios. Essa solidez nos consolidou como uma organização sólida e rentável, algo que nos encheu de orgulho e satisfação.
Desde o início da minha carreira, sempre tive uma orientação firme sobre educação financeira e planejamento estratégico, e apliquei esses ensinamentos com disciplina em tudo o que fiz. Os recursos gerados pela FREEDOM foram investidos de forma diversificada, com foco na construção civil, buscando sempre novas oportunidades de crescimento. No começo, em sociedade com meu ex-sogro, construímos casas de cerca de 200m² em condomínios na região de Cotia, próximas ao São Fernando Golf Club. Porém, o Plano Collor chegou e frustrou nossas expectativas de lucro.
Alguns anos depois, voltei a investir na construção civil, mas dessa vez em um novo modelo: casas populares. Através do programa “Minha Casa Minha Vida”, construímos cerca de 50 unidades em Itanhaém – SP e Mogi Guaçu – SP. Em Mogi Guaçu, também erguemos dois prédios com aproximadamente 50 apartamentos. Esses investimentos sempre refletiram uma estratégia consciente e prudente, usando o mercado financeiro e a construção civil como alavancas para garantir uma aposentadoria segura e tranquila, coroando uma vida profissional de trabalho árduo e realizações.
Em 2014, recebi um telefonema inesperado de um profissional americano experiente em M&A – Fusões e Aquisições de Empresas. Ele queria me convidar para um café, explicando que meu nome havia sido indicado como alguém que conhecia profundamente o setor químico, especialmente o mercado de cosméticos, e que meu network poderia ser valioso para alavancar oportunidades de M&A nesses setores. Marcamos nosso encontro no Otavio’s Café, na Avenida Faria Lima, e foi ali que nasceu uma parceria que se mantém até hoje. Desde então, apresentei diversas empresas e tivemos sucesso em quatro operações concluídas, além de outras que permanecem no radar com grande potencial de concretização.
Essa oportunidade chegou no momento exato, em uma fase em que minha motivação com a FREEDOM já não era a mesma. Após muitos anos realizando as mesmas atividades, comecei a sentir que era hora de buscar novos desafios. Assim, praticamente deixei a gestão da empresa nas mãos da minha sócia e irmã, Neiri Bozzolo, e do Murilo Marques, que já ocupava uma posição estratégica na empresa. Abracei com entusiasmo a chance de me desenvolver na área de M&A, utilizando o network que construí ao longo dos anos nos setores de química, cosméticos e produtos de higiene e limpeza doméstica. Hoje, me dedico integralmente a essa atividade, trabalhando em parceria com boutiques financeiras para operações acima de R$ 100 milhões e conduzindo diretamente operações menores, na faixa de R$ 30 a R$ 40 milhões. Nosso foco principal é assessorar proprietários de empresas, geralmente empresários com mais de 65 anos e sem sucessores, que desejam garantir que seu legado continue e cresça nas mãos de empresas e investidores preparados para dar continuidade ao que construíram.
Atualmente, o evento Household é realizado sob o nome Household Summit e organizado pela Cosmetics Innovation, liderada pelo meu amigo Murilo Marques, que trabalhou na FREEDOM por mais de 18 anos, tendo ingressado na empresa em 1998.
No Household Summit 2024, tive a honra de ser homenageado por Murilo e sua equipe, recebendo uma placa comemorativa em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos no setor de Household no Brasil. Também tive a oportunidade de fazer a abertura solene do evento, compartilhando com os presentes um pouco da trajetória que relatei acima. Foi uma experiência especial, pois alguns dos profissionais na plateia acompanharam minha caminhada desde o início.
Infelizmente, Luiz Fernando Coimbra não conseguiu assistir à minha apresentação, pois enfrentou problemas de trânsito no trajeto de Cotia para São Paulo e chegou atrasado. Júlio Patiño Caneda, por sua vez, não pôde comparecer devido a questões de saúde.
Apesar das ausências, a manhã foi marcada por emoções e momentos memoráveis, deixando uma sensação de realização e gratidão.