O consumo de produtos de limpeza pelos brasileiros atingiu R$ 37,9 bilhões em 2023, registrando uma elevação de 7,1% em relação a 2022, de acordo com a Euromonitor International, que prevê que as vendas devam atingir R$ 48,9 bilhões até 2028, com variação de 28,9% no período.
O crescimento das vendas no Brasil foi maior do que o registrado no mercado global, com elevação de 3,4%, totalizando US$ 186,3 bilhões. Depois de subir uma posição no ranking global em 2022, o país se consolidou no quarto lugar, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Japão.
Produção volta a crescer
Após registar queda de 5,7% em 2022, a produção industrial de saneantes voltou a crescer em 2023, com alta de 5,6%, de acordo com levantamento realizado pela Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (ABIPLA).
Paulo Engler, diretor executivo ABIPLA
“Felizmente, o cenário voltou próximo ao normal em 2023”, afirma Paulo Engler, diretor executivo da entidade, classificando 2022 como um período atípico por uma série de fatores negativos: “A população ainda lidava com o severo processo inflacionário dos anos anteriores e a indústria estava muito pressionada pelo aumento nos custos de energia, matérias-primas e combustíveis, sem conseguir repassar a alta ao consumidor por conta da crise sanitária”.
Preços abaixo da inflação
Embora 2023 tenha apontado inflação de 3,71% (INPC), o reajuste de preços no segmento de produtos de limpeza ficou em apenas 0,88%, com diversos produtos apresentando deflação no período, como detergente (-0,70%), sabão em barra (-5,68%) e esponja de limpeza (-4,57%).
Além da deflação em alguns itens, vários produtos tiveram reajustes menores que os da inflação, segundo o INPC, como a água sanitária (+0,23%), detergente em sabão em pó (+1,06%) e amaciante e alvejante (+1,62%). “Historicamente, a indústria de produtos de limpeza sempre teve reajustes abaixo da inflação. O setor trabalha com produtos acessíveis à população, dada a sua relevância para a saúde pública brasileira”, afirma Engler.
Empregos em alta
A indústria de saneantes segue como um dos poucos setores brasileiros a fechar os últimos 5 anos com saldo positivo no CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. Hoje, o setor contabiliza mais 92 mil empregos diretos. “De modo geral, o setor trabalha com fidelidade aos planejamentos estratégicos das empresas. Isso acaba favorecendo a geração de empregos, em médio e longo prazo. Muitas empresas, por sinal, abriram novas plantas nos últimos 5 anos, o que mostra que o compromisso com o crescimento, tanto do portfólio de produtos quando da capacidade produtiva se mantém”, analisa o diretor da Abipla.
Para este ano, a Abipla projeta crescimento de 2% a 3%, o que pode fazer com que o setor supere seu pico histórico de produção, alcançado em 2019 e que se manteve estável nos anos de 2020 e 2021. “Temos que buscar um ambiente de negócios mais moderno para a indústria e a reforma tributária é importante para isso. Outro ponto que defendemos é a busca de harmonização regulatória com países do Mercosul, o que pode diminuir a capacidade ociosa da indústria e gerar muitas oportunidades de exportação, assim como ao consumidor brasileiro”, finaliza.
Consumo nos lares
De acordo com o acompanhamento mensal da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), o consumo nos lares brasileiros fechou 2023 em alta de 3,09% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Marcio Milan, vice-presidente da ABRAS
“A menor inflação dos preços dos alimentos para consumo no domicílio na comparação com o consumo fora do lar foi um fator essencial para o crescimento do consumo das famílias ao longo do ano”, analisa o vice-presidente da ABRAS, Marcio Milan.
Para 2024, a entidade estima crescimento de 2,5% no consumo dos lares. Milan destaca a recomposição da renda do trabalhador com o reajuste do salário mínimo em percentual acima da inflação oficial registrada no ano como um dos fatores para incentivar o consumo. “O cenário macroeconômico sinaliza para um crescimento gradual do consumo ao longo do ano acompanhando as sazonalidades, o comportamento das principais safras, os fatores climáticos como excesso de chuva, secas e ondas de calor e a demanda internacional de alimentos”, conclui Milan.
Limpeza cresce 13,5% no franchising
O mercado de franquias no Brasil também voltou a crescer em 2023, atingindo faturamento de R$ 240,661 bilhões, com elevação de 13,8% em relação a 2022, de acordo com a ABF – Associação Brasileira de Franchising. O número de operações no Brasil cresceu 6,2% e atingiu 195.862. O número total de foi de 3.311 redes de franquia identificadas, com crescimento de 7,6%.
Embora tenha reduzido em 1,8% o número de operações, o segmento de limpeza e conservação acompanhou o ritmo de crescimento faturamento de franquias, passando de R$ 1,694 bilhão, em 2022, para R$ 1,923 bilhão, em 2023, uma variação de 13,5%.
Aurélia Vicente, diretora de Data & Delivery da Kantar
Kantar prevê crescimento
Com base no estudo Consumer Insights 2023, a Kantar projeta que o consumo de bens massivos na América Latina deve continuar em alta em 2024, que prevê melhora em todos os países da região, com o Brasil puxando o crecimento.
Isso se deve à recuperação do abastecimento, passando de -3% em 2022 para +9% no ano passado.
“A continuação do crescimento no Brasil é esperada para 2024. Ao combinar ferramentas incorporadas ao consumidor com menor desemprego e a inflação sob controle, o consumo de bens massivos deve permanecer com desempenho forte”, comenta Aurélia Vicente, diretora de Data & Delivery da Kantar.
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