Iniciativa alia práticas de sustentabilidade ambiental e de ressocialização de apenados
O óleo de cozinha é um grande poluente para o meio ambiente, e seu descarte incorreto pode gerar uma série de impactos na natureza. Para evitar essa situação, fábricas de sabão ecológico no sistema prisional gaúcho viabilizam a sua reciclagem, utilizando-o como matéria-prima. A iniciativa, que alia práticas de sustentabilidade ambiental e de ressocialização de apenados, ocorre em unidades prisionais de Santo Ângelo, Arroio dos Ratos, Santa Maria e São Francisco de Assis.
Iniciado em 2011, o projeto Sabão Ecológico Curumim, que é desenvolvido no Instituto Penal de Santo Ângelo, possui uma das maiores produções de sabão no sistema prisional. A ação surgiu devido à demanda dos apenados de manter o espaço de convívio limpo, principalmente quando recebiam visita. A unidade passou, então, a investir na fabricação de sabão à base de óleo de cozinha para suprir as necessidades internas.
Esse tipo de iniciativa, além de gerar economia para o Estado (já que a unidade prisional consegue produzir parte dos próprios itens de limpeza), possibilita o aprendizado de um novo ofício às pessoas privadas de liberdade e é uma alternativa sustentável para o reaproveitamento de resíduos que seriam descartados. Além disso, proporciona a remição da pena – a cada três dias trabalhados, os apenados diminuem um dia da sentença.
O titular da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS), Luiz Henrique Viana, destaca que a promoção de iniciativas sustentáveis são fundamentais para gerar mudanças positivas no sistema prisional. “Quando é possível transformar o problema em solução, todos ganham. O sistema prisional, que hoje tem cerca de 42 mil apenados, tem também a responsabilidade e a possibilidade de pensar em alternativas e ações que ajudem a diminuir os impactos negativos no meio ambiente”, explica.
A agente penitenciária e coordenadora da iniciativa, Débora Pedroso, estima que, por meio do trabalho desempenhado pelas pessoas privadas de liberdade, aproximadamente 500 mil barras já tenham sido fabricadas no local. “A importância dessa boa prática, além da preservação ambiental, também se evidencia pelo auxílio na preparação de indivíduos para reinserção na sociedade, por meio de trabalho digno, colaboração em equipe e conhecimentos técnicos na fabricação de sabão, aspectos que podem ser utilizados em trabalhos futuros”, afirma.
A obtenção da matéria-prima é feita por meio de arrecadação semanal com empresas parceiras que descartam o óleo vegetal em coletores, que são recolhidos pela fábrica para a produção dos itens. As barras de sabão são utilizadas para a limpeza das áreas internas do estabelecimento prisional. Um projeto para que a distribuição de sabão ecológico seja ampliada para outras unidades está em desenvolvimento, o que beneficiaria mais uma parcela significativa do sistema prisional gaúcho.
Fonte: Rio Grande Tem 09.06.2023
