Estudo revela que jovens brasileiros priorizam prazer e experiências em vez de itens domésticos essenciais
A Geração Z brasileira está redefinindo as prioridades de consumo. Segundo o levantamento “The State of the Brazilian Consumer”, da McKinsey, os jovens de até 29 anos são o grupo mais impactado pela inflação — mas também o mais disposto a gastar. O diferencial está em onde esse dinheiro é aplicado: menos em produtos de limpeza, mais em experiências e prazer pessoal.
De acordo com o estudo, 59% dos jovens afirmaram que pretendem gastar mais nos próximos meses, número superior ao de Millennials (53%), Geração X (42%) e Baby Boomers (32%). No entanto, esse aumento de consumo não se reflete nas categorias tradicionais do lar.
“O orçamento é mais apertado, mas os gastos com indulgências aumentam”, explica Pedro Fernandes, sócio da McKinsey e consultor de negócios de bens de consumo. “Eles reduzem o gasto em tudo o que não tem apelo emocional, como produtos de limpeza, para manter um bom energético e uma boa cerveja. Isso não é uma decisão racional — está no inconsciente deles.”
A pesquisa mostra que, diante da alta de preços, os consumidores têm adotado uma seleção mais estratégica dos cortes. Enquanto itens como mantimentos e bebidas não alcoólicas sofrem retração, categorias ligadas a moda, turismo e entretenimento seguem em alta.
Mesmo com o cenário de inflação elevada e renda apertada, a Geração Z evita recorrer ao trade down (troca por marcas mais baratas) e prefere ajustar o orçamento de forma emocional, cortando o que considera secundário — como a limpeza da casa — para preservar momentos de prazer e consumo aspiracional.
O estudo conclui que esse comportamento evidencia uma mudança de mentalidade: para os jovens, o bem-estar e a experiência sensorial valem mais que a funcionalidade doméstica.