Lito Rodriguez usou mixer da sogra para inventar produto e hoje tem 45 franquias
Após ser demitido do emprego que conseguiu ao terminar a faculdade de publicidade, Lito Rodriguez decidiu empreender e desenvolveu um produto para lavagem de carros sem utilização de água. Mesmo sem conhecimentos prévios em química, ele estudou diferentes fórmulas, e, com ajuda de um mixer emprestado da sogra testou diferentes fórmulas até chegar a um produto que pudesse tirar a sujeira da lataria dos veículos sem o uso de água e sem danificar a pintura.
Alguns anos depois, o sucesso do produto, que foi introduzido ao público como o método de lavagem de um lava-jato de Rodriguez em São Paulo, fez com que o empresário expandisse suas operações por meio de franquias. Atualmente, a DryWash conta com uma rede de 45 lojas em SP, PR, GO e MT. Ele não revela o faturamento.
“Eu era o cara mais improvável a ser um desenvolvedor desse produto”, conta Rodriguez, hoje com 55 anos. “Eu não sabia nada de química, juntei um monte de informações e gastei sola de sapato para conseguir desenvolver o produto”, completa.
Amostra grátis de matérias-primas
Rodriguez escolheu empreender no setor de lavagem de carros por conta do baixo profissionalismo que via nas operações do setor. Falta de padrões de lavagem, informalidade nas contratações e dificuldade de padronizar os serviços prestados eram alguns dos problemas da época.
Rodriguez imaginava que seria possível emular o padrão de profissionalismo de automecânicas de algumas montadoras no setor de lavagem. Ele chegou a abrir um serviço de lavagem de carros na região de Moema, em São Paulo, que manteve até o desenvolvimento do DryWash.
Isso porque, além das dificuldades de gestão desses espaços, ele também buscava encontrar uma maneira de fazer a lavagem dos carros nos espaços em que eles ficavam durante boa parte do dia: estacionados na garagem dos prédios.
Assim, em 1994, foi atrás de informações com químicos e visitou feiras do setor para procurar produtos que pudessem retirar as partículas de sujeira da lataria, sem a necessidade de molhá-la previamente. “Eu tinha muita dificuldade de conseguir as matérias-primas, porque só pedia amostras grátis, não comprava nada”, diz Rodriguez.
Sem um laboratório ou espaço formal para a preparação do produto, pediu um mixer emprestado para a sogra e começou a fazer testes com diferentes fórmulas e matérias-primas.
Após cerca de seis meses, chegou a um produto que tem como base a cera de carnaúba. O produto fragmenta as partículas de sujeira para reduzir o atrito e permitir que o veículo seja limpo somente com a aplicação com um pano.
Lava-rápido foi espaço de testes
“Quando o produto começou a funcionar bem, comecei a lavar alguns carros e, aos poucos, passei a oferecer no lava-rápido”, conta o empresário, que cita o ceticismo de parte do público nas primeiras vezes que demonstrou o produto.
O sucesso da operação fez com que Rodriguez decidisse vender o lava-rápido e passasse a operar outro espaço voltado especificamente para a lavagem a seco em um prédio comercial.
Nesse período, tentou também comercializar sua invenção no varejo, oferecendo o produto em uma unidade do Carrefour em Osasco, na Grande São Paulo, mas sem sucesso. “O produto não vendia nada na prateleira”, diz o empresário, que cita a importância da demonstração da lavagem para o convencimento do público.
Notando o sucesso das vendas em seu lava-rápido, percebeu que a expansão teria que ocorrer por meio de novas unidades. Em 1998, estruturou a operação de franquias e abriu a sua primeira unidade fora de São Paulo em um shopping no Rio de Janeiro.
“Nosso foco nunca foi vender franquias, mas o crescimento sustentável da rede”, afirma Rodriguez. Atualmente, além das opções de franquia e desenvolvimento de produtos, a rede DryWash conta com assistência e treinamento para o setor de conservação automotiva.
Em 2014, Rodriguez abriu uma nova empresa focada especificamente na gestão de micro e pequenos negócios com a oferta de treinamento e softwares para esse público.
Fonte: Estadão PME 09.12.2023
