Se há quem acredite que o futuro do trabalho será decidido apenas por algoritmos, dashboards e automação, é melhor atualizar o software mental. O RH está no centro da maior transformação do trabalho e, paradoxalmente, não é tecnológica, mas profundamente humana.
Por Daniela Aquino, CEO da Linus Recursos Humanos
De um lado, a IA avança em velocidade exponencial. Do outro, pessoas exaustas e emocionalmente sobrecarregadas, vivem sob pressão constante por performance, produtividade e adaptação. Entre esses dois mundos está o RH.
Diante do cenário, ouso prever que a principal tendência para 2026 será a humanização das empresas como competência estratégica. A previsão que pode soar vazia se considerarmos pesquisas recentes. Segundo a McKinsey, 80% das empresas já testam ou planejam adotar inteligência artificial em seus processos de RH até 2026.
Automação, people analytics, recrutamento inteligente e gestão preditiva de talentos são todas as ferramentas reais e necessárias. Então, onde está a tal da humanização? Justamente no equilíbrio. Quanto mais tecnologia se incorpora à gestão, maior se torna o peso da liderança humana. Se a tecnologia acelera decisões, a liderança deverá definir seu sentido.
Não é de hoje que, na Linus, trabalhamos a força da Liderança 5.0 pela qual os líderes são capazes de usar dados, IA e automação como aliados, sem abrir mão da escuta ativa, do julgamento ético, da empatia e da responsabilidade sobre pessoas e cultura. Não se trata mais de formar gestores eficientes, mas de desenvolver líderes preparados para conduzir pessoas em ambientes complexos, emocionalmente intensos e altamente digitalizados.
A humanização passa a ser parte da infraestrutura organizacional, lidando, inclusive, com a crise atual de colapso da empatia e redefinindo o papel do RH. Não há mais espaço para polarização, extremismo, esgotamento emocional, desconexão nas relações de trabalho e familiares, que passam a ser questões corporativas impactam no engajamento, inovação, tomada de decisão, clima organizacional e até a sustentabilidade do negócio.
Semadar Marques, autora do livro “Colaboração: a única solução”, é direta: “Problemas complexos não se resolvem com lógicas individualistas ou competitivas. Eles exigem inteligência coletiva, segurança psicológica e vínculos humanos saudáveis”. Reforço: ambientes psicologicamente seguros são o ponto de partida para inovação real; a colaboração não é uma escolha cultural, é uma necessidade estrutural; lideranças baseadas em controle enfraquecem o potencial coletivo; vulnerabilidade, confiança e diálogo são ativos estratégicos.
Precisamos entrar em 2026 cientes de que a atenção às pessoas e à colaboração entre elas é a única resposta viável para desafios como sustentabilidade, diversidade, transformação digital e ESG. Não há governança sólida, responsabilidade social efetiva ou impacto ambiental positivo sem relações humanas funcionais nas organizações.
Por isso os programas e produtos que a Linus oferece fazem tanto sentido: são humanos! Buscamos respaldo tecnológico, mas entregamos soluções humanizadas. A partir de ferramentas próprias, desenvolvemos lideranças mais preparadas para lidar com pessoas, decisões e complexidade. A ideia é sempre fortalecer as habilidades humanas essenciais, mesmo em ambientes cada vez mais tecnológicos.
Também conectamos o aprendizado à prática, à estratégia e aos desafios reais do negócio, buscando aumentar o engajamento não por obrigação, mas por sentido.
Aposto alto no conceito de humanização como uma hard strategy e não como soft skill, condição que exige que o RH atue como um arquiteto que trabalha ambientes onde as pessoas possam pensar, errar, dialogar, discordar, criar e evoluir sem medo.
Mas para que a “mágica” aconteça, precisamos questionar paradigmas que adoecem as organizações: cultura da escassez, autocobrança excessiva, hierarquias rígidas e a competição disfarçada de meritocracia.
O futuro do trabalho não é mais rápido. É mais consciente. Vamos humanizar 2026 juntos?
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